Uma vida entre fios, saberes e memórias que ajudam a tecer a identidade cultural de São José de Ribamar
Nascida em 4 de setembro de 1954, na Ilha de Carrapatal, município de Humberto de Campos, Laurene Vales construiu sua trajetória de vida e sua arte em São José de Ribamar, cidade onde reside há 57 anos. Foi nesse território que seus fios ganharam forma, suas mãos desenvolveram saberes e o crochê se transformou em uma importante expressão de sua identidade.
Sua história com as artes manuais começou aos 20 anos de idade, quando teve a oportunidade de aprender com a mestra Conceição Carvalho. O primeiro contato com o fazer artesanal nasceu de uma situação simples e profundamente afetiva: durante a gravidez, Laurene desejou confeccionar um sapatinho para seu bebê.
O que começou como um gesto de amor transformou-se em uma vocação para toda a vida.
Ao longo de décadas, Laurene ampliou seus conhecimentos e tornou-se uma verdadeira guardiã dos saberes têxteis tradicionais. Aprendeu e desenvolveu diferentes técnicas, entre elas o ponto cruz, o macramê e o vagonite, até encontrar no crochê sua principal linguagem de criação.
Com suas mãos, fios e agulhas, Laurene construiu um universo próprio. Seu trabalho reúne técnica, paciência, delicadeza e, sobretudo, afeto. Cada peça carrega o tempo dedicado à sua confecção e a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas de produção artesanal.
O crochê como arte e expressão
Entre tantas possibilidades de criação, o vestuário em crochê tornou-se uma de suas grandes especialidades e também uma de suas maiores fontes de orgulho.
Para Laurene, a realização não está apenas no momento em que termina uma peça, mas principalmente em vê-la ganhar vida no corpo de outra pessoa.
É nesse encontro entre quem cria e quem usa que sua arte encontra um de seus sentidos mais importantes: vestir pessoas com aquilo que suas próprias mãos foram capazes de transformar em beleza.
Seu trabalho também dialoga com a fé e com a cultura popular. Entre suas criações estão delicadas representações religiosas confeccionadas em crochê, como o Divino Espírito Santo, São José das Laranjeiras e São José de Ribamar.
Nessas peças, o artesanato ultrapassa a dimensão decorativa e passa a representar sentimentos de fé, devoção, pertencimento e memória.
Uma mestra que tece memórias
A trajetória de Laurene Vales representa muito mais do que uma história individual. Sua experiência revela a importância das mulheres que, durante décadas, preservaram conhecimentos artesanais dentro de suas casas e comunidades, transmitindo técnicas, valores e histórias por meio do trabalho manual.
Cada ponto de sua agulha carrega um pouco desse percurso.
Ao reconhecer Laurene como mestra crocheteira, reconhecemos também a força dos saberes tradicionais e o papel do artesanato na construção da identidade cultural de São José de Ribamar.
Sua história continua sendo tecida — ponto a ponto, peça a peça, memória a memória.
E talvez seja justamente essa a beleza de sua trajetória: Laurene não apenas confecciona objetos. Ela transforma fios em histórias, histórias em memória e memória em patrimônio cultural.
uma oportunidade única de conhecer sua vida e obra é visitante sua exposição que abre no dia 04 de setembro, data de seu aniversário na Galeria da Casa Gamela
📅 04 de setembro a 04 de outubro
📍 Galeria da Casa Gamela
🎟️ Entrada gratuita