A lenda da Queda da Igreja de São José de Ribamar

materialicons-round-854 239 Praça São José Centro

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De acordo com relatos da população autóctone, a Igreja de São José de Ribamar já ruiu por duas vezes até ser finalmente construída de frente para

o mar. Aeredita-se que o Santo tinha o desejo de ter a igreja de frente para o

mar.

Para Reis (2001 ) as igrejas ruíram devido à construção de madeira, nas suas respectivas bases, ou melhor, por não possuírem alicerces. O que facilitava a destruição pelo forte grau de salitre de região praiana. Quando a edificaram corn os alicerces recomendados pela engenharia, não houve mais demolições. Eis a versão de Carmina Waquim (1953): 

Quando a pequena Vila de São José estava quase despovoada e, muitas vezes, era visitada por indígenas - começou a narradora – havia uma pequena capela numa das poucas casas então aqui existentes. Mas esse pedaço de terra sempre fora procurado pelos habitantes da Capital, para descanso, talvez devido a sua praia ou pela abundância de peixes ou ainda por se achar peRo da cidade. Logo fez-se uma igreja, Mas num ano que não tenho a data precisa, uns pescadores acharam uma caixa de madeira boiando.

Como era natural, os caboclos adínirados procuram retirar a mesma que boiava nas proximidades da Baía de São José. Logo toda a população coírera ao local a fim de adrnirar o achado, que era uma imagem de São José. Os caboc ios não cessavam de contar o fato e baüzaram a imagem por São José de Ribamar, devido a mesma se achar em Riba do Mar. Como sabemos, o povo achara aquilo muito extraordinário, e começara a divulgar que a imagem obrava miiagre s. Não houve pessoa que não fizesse um pedido, e, para maior adrniração, os pedidos eram aceitos e, por mais assombro sos que parece$ sem, os milagres se sucediam dia-a-dia. A fama de tais mi}agres corria léguas, atravessava vilas, cidades e Estados. Em pouco tempo São José de Ribamar era de tal forma conhecido, que a capela se tornara por demais pequena para conter seus inúmeros presentes, vindos dos devotos, que, gratos pelo benefício recebido do glorioso Santo, envia mm-nos, Foi, então, que o vigário mandara construir a primeira igreja na vita de São José. Talvez fosse a igreja malfeita, o certo, é que, quando a mesma estava para ser concluída, veio um forte ternporal, desabando-a por completo, não ficando pedra sobre pedra.

É preciso que eu diga, a mesma fora feita de frente para a estrada de rodagem como tu queres, disse a narradora à personagem Zaíra, mas – prosseguiu a jovem – foi erguida novamente outra, que não teve melhor sorte. Pouco tempo depois, caiu. Os habitantes supers{iciosos achavam que São José não estava satisfeito com sua igreja; tinha qualquer coisa que o de 6gostava, por isso não permitindo a solidez da obra. Toda e qualquer tentativa de erguê-la, acontecia algo e assim passava o tempo. Quanto mais tempo passava, mais mister se fazia de urna igreja, A vila ia popularizando-se, as casas iarn surgindo, a estrada melhorando. os veranistas já perrnaneciam o ano quase todo neste :ocai. Sabendo um lugar perto da cidade, tornou-se a pequena baía um porto muito animado para os canoeiros vindos da outra margem, Primeira Cruz, Miriüba, Morros, etc, São José de Ribamar ia progredãndo; as casas iarn surgindo; dia após dia, rneihorava o seu porte. O povo não mais se conformava sem a igreja. Foi proposta erguê-ia pela última vez, Estudou-se urn meio sólido e seguro, Ela seria erguida no meio do largo. Corn receio de novo desabamento, o povo pediu que ela fosse erguida frente ao mar, onde a imagem do Glorioso Santo fora achada. E assim, até hoje ela permanece de pé, recebendo as homenagens vindas da cidade ou de outro lado do mar”. (WAQUIM, 1953, p,6-7 apud REIS, 2001, p.70, 71 - 72).