Casa Gamela abre nova Exposição nesse sábado (21) : PERMANESSÊNCIAS

Escrito em 20/03/2026
Casa Gamela


Nesse sábado (21) a exposiçao Permanessência, Entre camadas, fissuras e vestígios, o corpo insiste.  por Jaqueline Nascimento

Esta exposição se constrói a partir daquela que permanece: não intacta, não ilesa, mas viva. Permanessências é um território onde corpo, memória e imagem se atravessam, um espaço em que as marcas não são apagadas, mas incorporadas como parte daquela que insiste em existir. Aqui, a permanência não se opõe à ruptura, mas nasce dela. Acompanha o grito preso na garganta, ressoa nos vestígios, nas fissuras e nas camadas do corpo que, mesmo contido, não deixa de dizer

Inspirada por práticas artísticas contemporâneas e por experiências de escuta e criação coletiva desenvolvidas com mulheres estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Jaqueline Nascimento apresenta, em sua primeira exposição, o reconhecimento do corpo como arquivo — um arquivo sensível onde se acumulam histórias, violências, resistências, afetos e vida. Nesse sentido, cada imagem não apenas representa, mas testemunha. As obras apresentadas tensionam a superfície: rostos fragmentados, peles sobrepostas, gestos contidos. Entre camadas de beleza e vestígios de dor, revelam-se narrativas silenciadas, disfarçadas ou interrompidas. A maquiagem, a colagem e o remix operam como linguagens que ocultam e expõem, criando um campo ambíguo em que ver também exige perceber o que está por baixo.

Ao trazer à tona as marcas da dor, a exposição dialoga com o pensamento de Audre Lorde, “Meus silêncios não tinham me protegido. Tampouco protegerá a vocês.” Falar, nesse contexto, não é apenas um direito, mas um ato de resistência. Romper o silêncio é romper com estruturas que historicamente produziram o apagamento de vozes, especialmente de mulheres. Assim, as imagens não surgem apenas como representação, mas como elaboração sensível de vivências, onde o corpo se torna linguagem. A maquiagem encobre e revela; a fotografia registra e transforma; a colagem reorganiza sentidos. Assim, Permanessências não trata apenas de quem permanece, mas de como se permanece: em camadas, em vestígios, em reconstrução contínua, como corpos que, mesmo atravessados pela violência, ainda pulsam, ainda dizem, ainda (re)existem.

Permanessência é a 9ª exposição da Galeria de Arte da Casa Gamela que continua contribuindo para o fortalecimento da cena artística local, valorizando a produção contemporânea e promovendo o diálogo entre tradição e inovação, ao mesmo tempo em que reafirma o espaço como um importante ponto de encontro, formação e difusão cultural em São José de Ribamar.

fonte: Alê Teixeira, Curadora da exposiçao e Gestora da Casa Gamela

Abertura:
21/03, 16h
na Galeria de Arte da Casa Gamela


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